Publicado por: gammaraba | janeiro 31, 2011

Gam exibe o Vaqueiro dos Milagres

Valorizar a produção cinematográfica brasileira, é o que pretende o Cineclube do Gam, que exibe hoje na sala Hiran Bichara, a partir das 19 horas, o curta metragem pernambucano “A Morte do Vaqueiro Raimundo Jacó”, conhecido nacionalmente como o Vaqueiro dos Milagres. O filme de ficção que faz parte do projeto “Revelando os Brasis” do Ministério da Cultura, é baseado na história real de Raimundo Jacó, vaqueiro afamado e grande aboiador, que foi traído e assassinado na cidade de Serrita interior de Pernambuco.

De acordo com o Vaqueiro Amaro que vivia na cidade quando aconteceu o fato, “Numa noite de julho de 1954, Jacó saiu à procura de uma rês que o patrão tinha dado falta. Mas outro peão da fazenda, um tal de Miguel, apostou que catava a bicha antes dele. Os dois partiram pro mato. Jacó chegou primeiro e já tava laçando a rês quando Miguel deu conta da derrota. Então, na covardia, bateu com uma pedra na cabeça de Jacó, que morreu ali mesmo. “

Vaqueiros na missa em homenagem a Raimundo Jacó

Dizem que o cachorro de Raimundo Jacó assistiu ao assassinato e ficou junto ao dono até que achassem o corpo. Depois, acompanhou o velório e ficou deitado ao lado da cova até morrer. O Sítio Lajes, local do homicídio e do enterro, virou ponto de peregrinação, pois vários milagres começaram a ser atribuídos ao vaqueiro morto. Em 1971, o cantor e compositor Luiz Gonzaga (primo de Raimundo Jacó) e o famoso poeta popular Pedro Bandeira organizaram uma missa em homenagem ao vaqueiro, celebrada pelo padre João Câncio – que mais tarde trocaria a batina pelo gibão (espécie de casaco).

Durante a missa Gonzaga compôs a música, “A Morte do  Vaqueiro”: “Numa tarde bem tristonha / Gado muge sem parar / Lamentando seu vaqueiro / Que não vem mais aboiar / Não vem mais aboiar / Tão valente a cantar…” Nascia a Missa do Vaqueiro.

Celebrada até hoje a missa leva a cada ano, sempre no terceiro domingo de julho, milhares de vaqueiros que reforçam a fé e a união entre si.   Antes da celebração, um a um os vaqueiros se aproximam e oferecem alguma peça de sua indumentária como oferenda. Arreios, selas, guarda-peitos, perneiras e gibãos vão sendo depositados. Vem a pregação e os vaqueiros entoam aboios. Ao final, a comunhão. Nada de hóstia de trigo. Farinha de mandioca, rapadura e queijo representam o corpo de Jesus. A bênção do padre e os vaqueiros partem com a sensação de dever cumprido.

Cortejo da Missa do Vaqueiro em Pernambuco

De acordo com Antonio Botelho responsável pelo Cine clube do Galpão de Artes, a projeção do filme tem como objetivo mostrar a realidade cultural e religiosa do sertão nordestino, que com características únicas se destacam do restante do país.

Jornalista Responsável – Ederson Oliveira/Drt 1755  

 

 

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